A Fonoaudiologia, enquanto disciplina que, dentre outras, estuda e trata desordens da Comunicação, Linguagem e Cognição, tem estreita relação com as neurociências. Por esse motivo, nos dias 29 e 30 Maio, teremos um evento muito interessante para fonoaudiólogos e terapeutas que atuam na área das Neurociências: I Encontro Científico de Fonoaudiologia e Neurociências do Centro Universitário Celso Lisboa com o objetivo de promover a interação entre o estudante e o mercado de trabalho.
A fono&cia, além de empresa apoiadora, participará do evento com a palestra: Processo Definido da Prática Fonoaudiológica. A palestrante Andréa Gonçalves, Sócia-Diretora da fono&cia, abordará a metodologia operacional que buscamos aperfeiçoar e aplicar diariamente, focando a patologia Disfagia Orofaríngea e aspectos Cognitivos muitas vezes envolvidos com a dificuldade de Deglutição.
A neurociência reúne as disciplinas biológicas que estudam o sistema nervoso, normal e patológico. É o estudo da realização física do processo de informação no sistema nervoso humano. O estudo da neurociência engloba três áreas principais: a Neurofisiologia (estudo das funções do Sistema nervoso), a Neuroanatomia (estudo da estrutura do Sistema Nervoso) e Neuropsicologia (estudo da relação entre as Funções Neurais e Psiciológicas).
O evento contará com apresentações de trabalhos científicos de estudantes e profissionais da área; terá a presença de palestrantes renomados debatendo assuntos de cunho contemporâneo e uma feira de exposição com produtos da área de Fonoaudiologia.
Na programação do evento, temas como Estimulação na Terceira Idade, Neuroplasticidade , Funções Neuropsicológicas, Gagueira, Perícia na Fonoaudiologia e Fono Hospitalar serão apresentados em palestras e mesas- redondas.
As inscrições são gratuitas e estão abertas até o dia 26 de Maio. O público-alvo são Estudantes e Profissionais das áreas de Fonoaudiologia e Neurociências e demais áreas afins.
O participante inscrito no evento que obtiver pelo menos 75% de sua presença comprovada poderá requisitar na Divisão de Eventos, no horário das 11h às 20h, o boleto para pagamento da taxa referente a confecção do seu certificado.
Os Profissionais ou Estudantes de Outras Universidades que quiserem se inscrever devem enviar para o e-mail eventos@celsolisboa.com.br, com o assunto *Encontro de Fonoaudiologia*, os seguintes dados:
A fonoaudiologia que buscamos aplicar diariamente estende-se além do diagnóstico e aplicação de técnicas terapêuticas. Nosso foco é, acima de tudo, o paciente, porém, a família deve ser incluída no processo, desde a primeira consulta.
O trabalho, quando exercido na casa do paciente, requer uma dose ideal de entrosamento, confiança e limite. Afinal, as visitas ao paciente em seu domicílio aproximam, e muito, terapeuta e família. Tal aproximação pode ser tanto positiva quanto negativa; cabe ao terapeuta definir sua abordagem para que o vínculo seja um aliado, e não um obstáculo ao tratamento.
A família costuma “adoecer” junto com seu parente. Esta condição vem sendo observada com muita freqüência em nossos atendimentos.
O familiar reage de diversas formas diante de um marido, mãe ou irmão doente e acamado. Dor e frustração são sentimentos muito freqüentes. Afinal, acompanhar seu ente querido em condições, muitas vezes complexas e incapacitantes, não é nada fácil.
Um fator para o sucesso dos atendimentos domiciliares (e em qualquer outro ambiente) é uma comunicação eficiente. O terapeuta deve indicar de forma clara o que é e quais são os objetivos de seu trabalho.
Uma das Competências do fonoaudiólogo, segundo o documento “Áreas e Competências do Fonoaudiólogo no Brasil” – Março 2007, é Orientar Pacientes, Clientes externos e internos, Familiares e Cuidadores.
“Esta área refere-se à competência para orientações e aconselhamentos relativos aos diversos aspectos da atuação fonoaudiológica, a fim de esclarecer pacientes, clientes, familiares e cuidadores.
A grande área em questão é constituída por ações que envolvem a escuta profissional, a explicação, a instrução, a demonstração, a proposição de alternativas e a verificação da eficácia das ações propostas. Para orientar o paciente ou cliente, o fonoaudiólogo deve escutá-lo, esclarecer os problemas existentes e suas conseqüências, explicar a anatomia e a fisiologia dos sistemas envolvidos na comunicação e na deglutição, assim como explicar o desenvolvimento da comunicação humana; explicar e demonstrar os procedimentos, as rotinas e as técnicas fonoaudiológicas. Propõe alternativas de comportamento e realiza aconselhamento fonoaudiológico. Visita domicílios, escolas e postos de trabalho para dar esclarecimentos pertinentes. Verifica ainda a compreensão da orientação ministrada e esclarece dúvidas.”
Conhecer a patologia de base do doente é fundamental.
É fácil recordar casos em que a família, por engano ou ansiedade, relata fatos e diagnósticos médicos inexistentes ou incoerentes. Além do contato com o médico do paciente, o fonoaudiólogo conhecedor do referido quadro pode, em casos como esse, argumentar com sua bagagem teórica, não para diagnosticar a patologia (o que não é da competência fonoaudiológica), mas sim, para que o familiar perceba o grau de informações e conhecimentos que o terapeuta possui. Provavelmente, isso aumentará o grau de confiança da família em “seu” fonoaudiólogo, transformando a relação numa aliada ao tratamento.
Porém, as relações não são matemáticas. Nem sempre o bom profissional alcança esse grau de confiança e aliança utilizando seus recursos técnicos e suas competências sociais.
Como proceder em casos difíceis? A resposta parece simples, mas na prática, a experiência e a sensibilidade do profissional são peças importantes no lidar com a família. Abaixo, algumas sugestões:
Comunicação clara e eficiente, sempre.
Reuniões periódicas com a família.
Reavaliações e relatórios progressivos apresentados e lidos em conjunto.
Contato com o médico e demais envolvidos no caso clínico.
Esse grupo de ações fornece ao profissional da fonoaudiologia recursos para gerenciar bem sua atuação. E não falo aqui de recursos terapêuticos; refiro-me á gestão do atendimento domiciliar, conciliando técnicas de saúde fonoaudiológica com a compreensão do contexto familiar em que se insere o paciente.
Pensando na questão familiar, a fono&cia convidou as psicólogas Fernanda Jereissati e Golda Tenenbaum para enriquecer e ampliar nossa compreensão acerca da relação terapeuta – paciente - família.
Conversando sobre Terapia Familiar Sistêmica
Por Fernanda Jereissati e Golda Tenenbaum
Hoje, cada vez mais, procuramos tratar o indivíduo como um todo, integrando os diferentes conhecimentos e técnicas.
Descobrimos também que a família é um campo de estudo precioso porque quando analisamos o paciente dentro deste contexto, podemos compreender a sua sintomatologia de uma forma mais abrangente e, assim, ampliamos as possibilidades de intervenção terapêutica. Tornamos a questão mais complexa porque entramos na intimidade familiar com objetivo de desvendar seus mistérios e encaminhar soluções.
As famílias são uma unidade emocional. Seus membros acham-se ligados uns aos outros de tal maneira que o funcionamento de cada um deles afeta o de todos.
O foco de atenção, dentro dessa abordagem, passa a ser a família como sistema e não mais unicamente o indivíduo.
A terapia familiar surgiu na década de 50. Seus teóricos como Watzlawick, Haley, Bowen, Minuchin e outros nos levam a vislumbrar o indivíduo no seu cenário familiar, a identificar o momento do ciclo vital no qual a doença emergiu, a revisitar as histórias das gerações passadas para entender a história atual de cada um.
Com tudo isso em mãos, nós, terapeutas, enriquecemos nossos recursos, melhorando nossos atendimentos e proporcionando às famílias um espaço rico para reflexões, reconstruções e possibilidades de mudanças.
Acreditando no valor dessas idéias na clínica, ofereceremos em março 2008 o curso “CONVERSANDO SOBRE TERAPIA FAMILIAR SISTÊMICA” que tem como objetivo introduzir os principais conceitos da Terapia Familiar Sistêmica para que possam servir de subsídios a uma melhor compreensão do ser humano no seu contexto relacional.
Como metodologia, utilizaremos leituras, discussão de textos e técnicas vivenciais. O curso se destina a estudantes e profissionais das áreas de saúde, educação e jurídica.
para saber mais…
15.12.2007
O Fernanda Jereissati é Psicóloga, Pedagoga e Terapeuta Familiar; Golda Tenenbaum é Psicóloga, Psicopedagoga, Terapeuta Familiar e Coordenadora de Ação Social da ONG Ressurgir. Juntas, desenvolvem um interessante trabalho nas seguintes áreas:
Terapia Familiar (incluindo crianças, adolescentes e idosos);
Terapia de Casal;
Terapia do Divórcio;
Terapia Individual Sistêmica;
Grupo de Estudos;
Cursos;
Supervisão para profissionais da área de Saúde, Educação e Jurídica.
O próximo curso sobre Terapia Familiar Sistêmica está agendado para Março de 2008. Quem tiver interesse, pode entrar em contato com as especialistas:
Trata-se da segunda versão do documento publicado em 2002, antes denominado “Exercício Profissional do Fonoaudiólogo no Brasil”. A revisão foi realizada por um grupo de profissionais de todo o país com objetivo de descrever as atividades e áreas de atuação do fonoaudiólogo.
Na apresentação do documento, o 8º colegiado da CFFa deseja ao leitor uma “Boa leitura”, o que não deixa nada a desejar até àquele com a mais alta expectativa.
“A comissão responsável, intitulada Comissão Especial de Qualificação Profissional (CEQP), contou com a participação de quatorze (14) fonoaudiólogos com reconhecida experiência e especialização nas respectivas áreas de ocupação, a saber, linguagem, voz, audição e motricidade oral. Este grupo base, coordenado por dois conselheiros do CFFa, discutiu e analisou as diversas ações relativas à prática clínica das diferentes áreas de ocupação.
O trabalho inicial teve a assessoria de consultores especializados em análise ocupacional e, por meio do método DACUM (Developing a Curriculum), chegou-se à sistematização das ações que constituem cada uma das áreas de competência do fonoaudiólogo. O produto desta análise foi validado posteriormente, por um segundo grupo de fonoaudiólogos, composto da seguinte forma: quatro membros da CEQP, dois conselheiros do CFFa e seis novos fonoaudiólogos, representantes das áreas de especialidade, atuantes em diferentes regiões do Brasil e referendados pelos respectivos Conselhos Regionais de Fonoaudiologia.”
Para quem não conhece, o método DACUM foi desenvolvido nos anos 60 na Colúmbia Britânica, no Canadá, como um modelo de planejamento curricular. Parte do princípio de que só quem realiza a atividade pode descrevê-la. É um modelo pragmático de análise ocupacional para o desenvolvimento de competências, baseado nas técnicas de desenvolvimento curricular.
O processo DACUM se inicia sob a forma de um Workshop que inclui dois coordenadores e um mínimo de 8 e não mais de 15 representantes dos empregados (no caso, fonoaudiólogos), e parte da identificação das áreas de competência.
Em seguida, cada categoria envolve um número específico de habilidades que contribuem para o desempenho do trabalho. Em resumo, o Workshop inclui os seguintes passos:
1. Orientação;
2. Estabelecimento do título de abrangência da ocupação;
3. Identificação das áreas gerais da ocupação;
4. Identificação das habilidades potenciais;
5. Revisão e refinamento do mapa.
O resultado foi excelente. A descrição acerca da Fonoaudiologia, apesar de intitulada sumária, me parece uma das melhores. O documento segue identificando as Grandes Áreas de Competência (GAC), assim como as competências pessoais, habilidades, recursos, instrumentos de trabalho e locais de atuação necessários à plena realização profissional.
Foram identificadas doze grandes áreas, listadas na seguinte ordem:
Grandes Áreas de Competência
Realizar avaliação fonoaudiológica;
Estabelecer diagnóstico de fonoaudiologia;
Executar terapia (habilitação/reabilitação);
Orientar pacientes, clientes internos e externos, familiares e cuidadores;
Monitorar desempenho do paciente ou cliente (seguimento);
Aperfeiçoar a comunicação humana;
Efetuar diagnóstico situacional;
Desenvolver ações de saúde coletiva dos aspectos fonoaudiológicos;
Exercer atividades de ensino; desenvolver pesquisas;
Administrar recursos humanos, financeiros e materiais
Comunicar-se (acrescento comunicar-se bem).
Cada grande área, descrita e comentada com pertinência, leva o profissional a refletir sobre o trabalho que vem desempenhando.
O Fonoaudiólogo atento as suas responsabilidades clínicas, éticas, educacionais e voltadas à pesquisa sentirá o mesmo prazer e orgulho que vivenciei hoje.
A Fonoaudiologia vem amadurecendo… e, espero, continuará nesse processo, numa curva ascendente de dedicação, ética e pesquisa.
Neurologistas do Hospital Hadassah Ein Karem de Jerusalém foram os primeiros no mundo a tratar pacientes acometidos pela esclerose múltipla com células-tronco extraídas de sua medula óssea, reproduzidas em laboratório e injetadas em sua coluna, informou há dois dias o Jornal The Jerusalem Post.
Nesse mesmo estudo clínico foram tratados também pacientes que sofrem de Esclerose lateral Amiotrófica - E.L.A. Mesmo em fase ainda experimental, os resultados se mostram, segundo o jornal, animadores e promissores.
Todos os pacientes submetidos à pesquisa tiveram células-tronco injetadas em uma única ocasião e, por enquanto, não foram realizadas as análises dos resultados do grupo controle para contrastar os testes.
O médico á frente da pesquisa é o neurologista Dimitrios Karousis, profissional de destaque que trabalha no Hospital Hadassah há 19 anos. Ele ressaltou que esta pesquisa clínica é “a primeira no mundo com este tipo de células-tronco”.
Um Hospital no Reino Unido anunciou, recentemente, que implementará um programa de células-tronco muito semelhante ao adotado no Hadassah, lembra Karousis.
A esclerose lateral amiotrófica é uma doença que compromete a musculatura e causa deficiência motora progressiva.
Como o próprio nome indica, essa moléstia se caracteriza pelo endurecimento dos músculos (esclerose), inicialmente num dos lados do corpo (lateral) e atrofia muscular (amiotrófica).
Até o momento, não se conhece a causa específica desta doença. Existe sim, a possibilidade de causas multifatoriais onde estariam envolvidos um componente genético, a idade e algumas substâncias do meio ambiente. Mas, a princípio, não se conhece nenhum fator que predisponha à E.L.A., nem como é possível prevenir o desenvolvimento da doença.
A principal caracteristica da E.L.A. é a degeneração progressiva dos neurônios motores (superiores e inferiores). Neurônio motor é a célula especializada que envia impulsos nervosos aos músculos. Portanto, se esses impulsos deixam de ser enviados, a musculatura entra no processo de atrofia e fraqueza.
O primeiro sintoma da doença costuma ser a fraqueza muscular progressiva, seguida de atrofia. Além desses sintomas, há presença de fasciculação (tremor muscular), reflexos exaltados e cãibras.
Geralmente, a E.L.A. afeta primeiro os membros superiores; eventualmente, os membros inferiores sao acometidos na instalação do quadro.
Há algumas variações da E.L.A. Dentre elas, temos a forma bulbar da doença, que se incia afetando os órgãos fonoarticulatórios. É comum o paciente com esse quadro procurar o otorrinolaringologista, já que seus sintomas inicias são alterações vocais (Disfonia) e de fala (Disartria). Há ainda um rápido emagrecimento devido á Disfagia que se instala gradativamente.
O diagnóstico da E.L.A. não é simples. Atualmente, leva-se de 10 a 11 meses, do primeiro sintoma à confirmação do diagnóstico. Para se ter uma idéia, nesse espaço de tempo o paciente passa, em média, por 4 médicos, dentre eles, otorrinolaringologista e ortopedista.
Atuação Fonoaudiológica na E.L.A. - Breves Considerações
A ELA é uma doença bastante agressiva e não tem cura. Em minha prática profissional tive oportunidade de acompanhar casos dessa doença. Em síntese, o objetivo é a manutenção das funções orais ligadas à fala, voz e deglutição. A Disartria é do tipo mista, já que são afetados os neurônios motores superiores e inferiores. Em alguns anos o paciente perde, dentre outras, a capacidade de movimentação de língua, fato que compromete e muito a fase oral da deglutição, o que gera consequências na fase faríngea da mesma; a disartria agrava-se e, com isso, a implementação de Comunicação Alternativa é fundamental para manter o paciente interagindo com seus familiares.
A Disfagia preocupa. As mudanças na consistência dos alimentos é uma das estratégias do fonoaudiólogo para que o paciente continue se alimentando por via oral de forma segura. Vale lembrar que o acompanhamento da disfagia deve ser monitorado com oxímetro, já que a saturação de O2 diminui com a progressão da doença. Tal fato aumenta os riscos de Broncoaspiração. Saber o momento certo de sugerir uma via de alimentação alternativa é fator primordial para manter o paciente longe de pneumonias aspirativas em decorrência de alimentação via oral ineficiente quanto à proteção de vias aéreas inferiores.
Diante do quadro que a E.L.A. provoca, a notícia aqui editada chega em boa hora. A possibilidade de Livrar pessoas de um estado tão incapacitante será um presente da medicina. Pelo visto, estamos cada vez mais perto desse dia.
“Elas são de diversos tipos e um verdadeiro tesouro, pois podem originar outros tipos de células e promover a cura de diversas doenças. O fato é que a legislação brasileira sobre pesquisas com células-tronco de embriões humanos, já aprovada no Congresso Nacional, permite o uso dessas células para qualquer fim. Mas a lei de Biossegurança aguarda aprovação na Câmara dos Deputados. E muita polêmica ainda pode surgir, já que a Igreja e outros grupos são contra a utilização de células-tronco embrionárias. Para explicar o que é e para que serve a célula-tronco, entre outros temas, Alexandra Vieira, farmacêutica e bioquímica, pesquisadora da Fundação Zerbini/INCOR.” Confira!
A categoria “Tópicos em Fono” tem o objetivo de trazer assuntos relevantes ao estudo e à prática fonaudiológicas.
Inaugurando a seção, “Demências”, tema bastante procurado por diversos profissionais da saúde e por pessoas que lidam com a síndrome socialmente.
Definição
O dicionário da língua portuguesa Houaiss define a demência:
“perda de origem orgânica, freq. progressiva, sobretudo da memória, mas que também compromete o pensamento, julgamento e/ou a capacidade de adaptação a situações sociais”.
Demência é uma palavra de origem latina, dementia, que significa perder ou estar sem a mente. O significado de “mente” nessa definição se refere a um sentido mais amplo, podendo ser considerado como aquilo que torna um idivíduo único e que lhe dá condições de relacionar-se com os demais a sua volta.
O termo “demência” deve ser entendido como uma síndrome, um conjunto de sinais e sintomas que pode ter diversas etiologias. A avaliação neurológica indica a possível causa e a avaliação neuropsicológica mostra alterações em diferentes áreas da cognição.
As síndromes demenciais são caracterizadas pela presença de déficit progressivo de, pelo menos, duas áreas da cognição e do comportamento, com maior ênfase na perda de memória. Tais alterações devem ter intensidade suficiente para interferir nas atividades sociais e ocupacionais.
Dentre as funções cognitivas que podem ser afetadas nesta síndrome, podemos citar as habilidades visuoespaciais, visuoconstrutivas, funções executivas, percepto-visuais, atencionais e de linguagem, além de alterações de personalidade (Nitrini, Caramelli & Mansur, 1996).
A demência foi identificada por muitos nomes e, até hoje, alguns desses nomes persistem entre leigos. Fala-se em “caduquice”, “senilidade”, “esclerose” ou “arteriosclerose”. Todos significando “Demência”.
A utilização de tais nomenclaturas pode trazer alguns problemas: o termo “caduquice” transmite uma idéia pejorativa acerca do idoso que sofre de alterações de memória, por exemplo; “senilidade” está atrelada à idéia de que a demência faz parte do envelhecimento normal, o que não é verdade, já que nem todos os idosos desenvolvem Demência; “esclerose” e “arteriosclerose” são termos que significam “endurecimento”, nesse caso, um endurecimento das artérias cerebrais.
Esses dois últimos termos são inadequados porque sugerem a falsa idéia de que a demência ocorre por falta de sangue no cérebro, devido a uma obstrução parcial ou total das artérias cerebrias. Isso ocorre, de fato, levando a um quadro específico de demência, Demência Vascular , que corresponde a 15% a 30% do total de pessoas com quadro demencial. Portanto, a utilização de termos inapropriados pode levar ao não-entendimento do quadro e até a um tratamento equivocado.
Tipos de Demência
Existem muitos tipos de demência. De acordo com nossas fontes de pesquisa, a Doença de Alzheimer é, largamente, a causa mais comum de demência, sendo responsável por 50% a 70% do total de casos.
Abaixo, algumas considerações sobre os principais tipos de demência.
Doença de Alzheimer (DA)
O diagnóstico definitivo da DA só pode ser realizado através de análise histopatológica do tecido cerebral post-mortem. Portanto, trabalha-se quase sempre com o diagnóstico de DA provável, o que implica uma margem de erro de 10% a 15%, se o diagnótico for feito de modo cuidadoso.
Histopatologicamente, a DA caracteriza-se por duas lesões principais, as placas senis que contém a proteína β-amilóide, e os emaranhados neurofibrilares.
Em linhas gerais, na DA ocorre a deposição de duas proteínas que existem normalmente no cérebro como parte dos neurônios, mas que são metabolizadas de maneira anormal nessa doença:
A proteína β-amilóide deposita-se como placas senis no espaço extracelular, enquanto a proteína tau deposita-se dentro dos neurônios como emaranhados neurofibrilares. Ambas situações levam à perda neuronal.
Esse processo de morte celular que ocorre na DA não se dá de maneira uniforme e simultânea em todas as regiões cerebrais. Parece haver preferência por determinadas áreas, fato que justificaria a maneira como a doença evolui.
O diagnóstico clínico é realizado pelo médico e deve incluir um bom histórico e um exame cuidadoso, em particular do estado mental.
O curso clínico da doença apresenta-se com início insidioso e deterioração progressiva. O prejuízo de memória é o evento clínico de maior relevância. Assim, as primeiras alterações observadas são dificuldades como: lembrar recados e compromissos, lembrar nomes de pessoas sem convívio diário, listas de compras; há ainda, tendência a repetir as mesmas perguntas e histórias.
Nos estágio Inicial, além da perda de memória, há dificuldades na aquisição de novas habilidades, evoluindo gradualmente com prejuízos em outras funções cognitivas, tais como julgamento, cálculo, raciocínio abstrato e habilidades visuoespaciais.
O impacto no dia-a-dia é significativo e pode ser observado pela dificuldade em controlar as próprias finanças, pelo abandono de passatempos preferidos como leitura e jogo de cartas.
Ao ser levado ao médico para avaliação, é comum o paciente negar ou tentar racionalizar as próprias dificuldades. Na DA, o exame neurológico será normal, e a avaliação cognitiva mostrará, basicamente, alterações de memória de evocação, orientação temporal, função executiva (abrange a capacidade de abstração e planejamento) e linguagem.
No estágio Intermediário, pode ocorrer afasia fluente, apresentando-se como dificuldade para nomear objetos ou para escolher a palavra adequada para expressar uma idéia, e também apraxia. As deficiências de memória tornam-se mais acentuadas, assim como a desorientação espacial, com dificuldade mesmo em trajetos conhecidos, de modo que, sair sem acompanhante pode ser arriscado.
As alterações de linguagem ficam mais evidentes, comprometendo ainda mais o convívio social, sobretudo fora do círculo imediato familiar. Há possibilidade de irritabilidade mais acentuada e oscilações de humor. O nível de dependêcia passa a comprometer atividades simples do dia-a-dia, como selecionar roupas de acordo com o clima, por exemplo.
Nesse estágio, o trabalho do cuidador torna-se mais desgastante devido á crescente intensidade dos sintomas. Do ponto de vista funcional, a dependência para atividades básicas, como o banho ou troca de roupa, é maior. A dificuldade práxica aumenta consideravelmente: inicialmente, as atividades podem ser supervisionadas pelo cuidador; à medida que a doença evolui, as mesmas atividades passam a ser executadas pelo cuidador.
No estágio Incial, o diagnóstico da DA pode ser complicado; facilmente, o declínio cognitivo pode ser identificado como Comprometimento Cognitivo Leve (CCL), um diagnóstico diferencial com DA. Apenas a avaliação seriada, com intevalos de seis meses por exemplo, permite realizar tal diagnóstico diferencial. Entretanto, nas etapas Intermediária e Avançada da doença, um exame superficial permite, muitas vezes, fazer um diagnóstico sindrômico da DA.
Em futuras publicações. o CCL será abordado com maiores detalhes.
No estágio Avançado, encontram-se marcantes alterações do ciclo sono–vigília; alterações comportamentais, como irritabilidade e agressividade; sintomas psicóticos; incapacidade de deambular, falar e realizar cuidados pessoais.
Uma das complicações que o paciente com DA enfrenta é a Disfagia Orofaríngea. Os sintomas da Disfagia costumam surgir já na fase intermediária da doença. O déficit atencional leva a refeições cada vez mais prolongadas, uma vez que o paciente passa a reter o alimento por mais tempo na cavidade oral, ou seja, a Fase Oral da Deglutição torna-se demorada de forma inadequada.
Mesmo após mastigar, longamente, os alimentos mais sólidos como carnes ou grãos, nota-se a tendência de cuspir tais alimentos. Também é comum o paciente “se distrar” durante a alimentação, seja com o ambiente ou até mesmo com utensílios como talheres. Desta forma, é imprescindível que o cuidador seja orientado pelo fonoaudiólogo a como proceder durante as refeições de forma a facilitar a alimentação e a prevenir possíveis engasgos.
No estágio Avançado da doença, a Disfagia agrava-se sendo indicada, com frequência, uma via alternativa de alimentação visando minimizar os riscos de broncoaspiração de alimentos.
A intervenção fonoaudiológica será ricamente abordada nas próximas publicações.
Critérios Diagnósticos do DSM.IV para Demência do Tipo Alzheimer
A. Desenvolvimento de múltiplos déficits cognitivos manifestados tanto por (1) quanto por (2):
(1) comprometimento da memória (capacidade prejudicada de aprender novas informações ou recordar informações anteriormente aprendidas).
(2) uma (ou mais) das seguintes perturbações cognitivas:
(a) afasia (perturbação da linguagem)
(b) apraxia (capacidade prejudicada de executar atividades motoras, apesar de um funcionamento motor intacto)
(c) agnosia (incapacidade de reconhecer ou identificar objetos, apesar de um funcionamento sensorial intacto)
(d) perturbação do funcionamento executivo (isto é, planejamento, organização, seqüenciamento, abstração)
C. O curso caracteriza-se por um início gradual e um declínio cognitivo contínuo.
D. Os déficits cognitivos nos Critérios A1 e A2 não se devem a quaisquer dos seguintes fatores:
(1) outras condições do sistema nervoso central que causam déficits progressivos na memória e cognição (por ex., doença cerebrovascular, doença de Parkinson, doença de Huntington, hematoma subdural, hidrocefalia de pressão normal, tumor cerebral)
(2) condições sistêmicas que comprovadamente causam demência (por ex., hipotiroidismo, deficiência de vitamina B12 ou ácido fólico, deficiência de niacina, hipercalcemia, neurossífilis, infecção com HIV)
(3) condições induzidas por substâncias
E. Os déficits não ocorrem exclusivamente durante o curso de um delirium.
F. A perturbação não é melhor explicada por um outro transtorno do Eixo I (por ex., Transtorno Depressivo Maior, Esquizofrenia).
Codificar com base no tipo de início e características predominantes:
Com Início Precoce: se o início ocorre aos 65 anos ou antes.
No próximo post, Demência vascular (DV), Demência Mista e Demência por Corpúsculos de Lewy.
Bibilografia consultada
ORTIZ, karin Zazo Distúrbios Neurológicos Adquiridos - Linguagem e Cognição. Manole 2005.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEUROPSICOLOGIA Tecnologia em (Re) Habilitação Cognitiva - Uma Perspectiva Multidisciplinar. Edunisc 1998.
No dia 06/11 acontecerá o “VI Fonoaudiologia em Destaque”, cuja organização ficou a cargo do 8º período do Curso de Fono da UFRJ.
O evento é coordenado palas Fgas. e professoras Leila Nagib e Cláudia Drummond, e será realizado no Hospital Universitário da UFRJ, contando com uma equipe competente nas mesas.
Os palestrantes são os professores da faculdade (alguns me deram aula), das áreas de Neurologia, Neuropsicologia e Fonoaudiologia.
O programa está bastante interessante, atendendo a profissionais ligados a diversas áreas da Fono.
As mesas abordarão os seguintes temas:
Avaliação Neurológica e Demência
Práticas em Disfagia
Avaliação da Fluência
Avaliação da Voz
PAC e Avaliação Psicolinguística Infantil
Os profissionais interessados em comparecer ao HU e conferir o que esses competentes profissionais têm a acrescentar (e com certeza têm), visite esse link.
Vale lembrar que a fono&cia está, apenas, indicando e divulgando o evento, sem qualquer comprometimento financeiro com a Instituição que o promove.
Se você também deseja divulgar seu evento de Fonoaudiologia, entre em contato e envie-nos a proposta e o programa para análise.
Em Outubro, além de aproveitar o feriado do Dia das Crianças, comemoramos algumas datas importantes para os profissionais da saúde como o Dia Internacional do Idoso (01/10), Dia Mundial do Dentista (03/10), Dia do Fisioterapeuta e do Terapeuta Ocupacional (13/10) e o Dia do Médico (18/10).
Hoje, dia 13 de Outubro, nossa homenagem vai para os Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais, importantes profissionais que, assim como o Fonoaudiólogo, compõe a Área da Saúde voltada à reabilitação.
Segundo o site do COFFITO - Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional - as definições e atuações desses profissionais são:
Fisioterapia
Figura 1.Símbolo da Fisioterapia
Ciência da Saúde que estuda, previne e trata os distúrbios cinéticos funcionais intercorrentes em órgãos e sistemas do corpo humano, gerados por alterações genéticas, por traumas e por doenças adquiridas.
Fundamenta suas ações em mecanismos terapêuticos próprios, sistematizados pelos estudos da Biologia, das Ciências
Morfológicas, das Ciências Fisiológicas, das Patologias, da bioquímica, da Biofísica, da Biomecânica, da Cinesia, da Sinergia Funcional, e da Cinesia Patologia de órgãos e sistemas do corpo humano e as disciplinas comportamentais e sociais.
O Fisioterapeuta é um Profissional de Saúde, com formação acadêmica Superior, habilitado à construção do diagnóstico dos distúrbios cinéticos funcionais (Diagnóstico Cinesiológico Funcional), a prescrição das condutas fisioterapêuticas, a sua ordenação e indução no paciente bem como, o acompanhamento da evolução do quadro clínico funcional e as condições para alta do serviço.
Terapia Ocupacional
Figura 2.Símbolo da Terapia Ocupacional
Área do conhecimento voltada aos estudos, à prevenção e ao tratamento de indivíduos portadores de alterações cognitivas, afetivas, perceptivas e psico-motoras, decorrentes ou não de distúrbios genéticos, traumáticos e/ou de doenças adquiridas, através da sistematização e utilização da atividade humana como base de desenvolvimento de projetos terapêuticos específicos.
É um profissional dotado de formação nas Áreas de Saúde e Sociais. Sua intervenção compreende avaliar o cliente, buscando identificar alterações nas suas funções práxicas, considerando sua faixa etária e/ou desenvolvimento da sua formação pessoal, familiar e social. A base de suas ações compreende abordagens e/ou condutas fundamentadas em critérios avaliativos com eixo referencial pessoal, familiar, coletivo e social, coordenadas de acordo com o processo terapêutico implementado.
O Terapeuta Ocupacional compreende a Atividade Humana como um processo criativo, criador, lúdico, expressivo, evolutivo, produtivo e de auto manutenção e o Homem, como um ser práxico interferindo no cotidiano do usuário comprometido em suas funções práxicas objetivando alcançar uma melhor qualidade de vida.
As atividades do profissional estendem-se por diversos campos das Ciências de Saúde e Sociais. Avalia seu cliente para a obtenção do projeto terapêutico indicado; que deverá, resolutivamente, favorecer o desenvolvimento e/ou aprimoramento das capacidades psico-ocupacionais remanescentes e a melhoria do seu estado psicológico, social, laborativo e de lazer.
Modelo Interdisciplinar em Reabilitação
De diversas formas, a realidade brasileira se coloca entre o rigor acadêmico-metodológico e o profissional de saúde. Isto ocorre em muitos pontos de sua formação e no exercício da profissão. Possivelmente, esta realidade representa o maior empecilho para que cada disciplina consiga alcançar uma metodologia e processos formais suficientes para garantir e amadurecer a relação interdisciplinar.
Casos Clínicos, invariavelmente, envolvem um número de especialidades que exigem ferramental de comunicação, acompanhamento e coordenação que corrobore com o sucesso no atendimento ao paciente e seus familiares.
A interdisciplinaridade na Reabilitação impõe-se como um marco conceitual e prático inerente ao processo de elevar a qualidade de vida de um indivíduo, bem como de reinserí-lo socialmente. Para isso, é preciso desenvolver a Funcionalidade sob diversas formas através da Ação Terapêutica, aonde cada profissional envolvido no caso clínico atua com seus objetivos e metas buscando minimizar as incapacidades e atingir um real ganho funcional, quando possível.
De acordo com Livia Borgneth, a composição básica da Equipe de Reabillitação segundo a Metodologia Interdisciplinar é composta de:
Médico Fisiatra
Fisioterapeuta
Terapeuta Ocupacional
Fonoaudiólogo
Psicólogo
Psicopedagogo
Assistente Social
É importante definir e diferenciar o conceito de equipes multidisciplinares e interdisciplinares. O trabalho multiprofissional é realizado por especialidades diversas sem que haja, necessariamente, uma relação de interdependência entre elas. O que a Metodologia mencionada aqui sugere é uma atuação interdisciplinar. Dentre as premissas de tal interdisciplinaridade, podemos elencar:
interpenetração do conhecimento;
o todo é maior que a soma das partes;
partes estruturadas;
produção conjunta de conhecimento.
Aplicando tais premissas, temos as seguintes consequências em potencial:
recomposição do conhecimento fragmentado;
compreensão do todo, o que dimensiona a ação das partes;
fortalecimento das partes beneficiando o todo.
Figura 3.Tipos de Atuação
O profissional de saúde deve refletir sobre sua atuação. Adotar uma metodologia interdisciplinar não é simples, sobretudo no início; é necessário abraçar uma cultura direcionada à eficiência, eficácia e efetividade da ação terapêutica. Portanto, a interdisciplinaridade é um Fazer a ser construído.
Compreender a atuação e as especificidades dos demais profissionais da equipe na medida certa, estar ciente da inter-relação entre as abordagens terapêuticas, entender os papéis e atribuições de cada especialidade e buscar a troca constante de informações e conhecimentos através de reuniões de equipe - ou mesmo de facilidades tecnológicas - vêm se mostrando uma boa forma de implementação de um trabalho interdisciplinar. Organização e Sistematização são os critérios fundamentais para o sucesso de uma equipe que busca esse tipo de atuação.
Em futuros ensaios pretendo discorrer sobre o assunto, enquanto apresento um extrato do Processo Definido da Prática Fonoaudiológica. O PDPF se propõe, justamente, a estruturar um processo de trabalho, efetuar projeções dos papéis desempenhados, definir protocolos e procedimentos, desenvolver artefatos - como laudos, planilhas, cronogramas e relatórios de acompanhamento - e detalhar o perfil que a fono&cia entende como o mais adequado a um trabalho produtivo em fonoaudiologia.
Quem ganha, acima de tudo, é o paciente; afinal, é ele o foco de qualquer equipe de saúde.
Ah! Quase esqueci!
Parabéns aos Fisioterapeutas e aos Terapeutas Ocupacionais!
Por volta de 2003, época em que prestava serviços para outra empresa de fonoaudiologia, atendi um caso de disfagia orofaríngea numa paciente com diagnóstico de Artrite Reumatóide. Achei interessante postar aqui em nosso blog, já que encontrei pouca literatura fonoaudiológica a respeito.
O objetivo desse estudo é obter informações acerca da Artrite Reumatóide, bem como suas implicações na mecânica da deglutição.
As alterações da relação entre a postura da coluna cervical e o mecanismo do complexo hiolaríngeo, bem como as disfunções de ATM, geram como conseqüência, uma desarmonia morfofuncional do sistema estomatoglossognático, podendo gerar impacto importante na função normal de deglutição.
Para melhor compreensão do caso que será relatado, é importante mencionar, de forma sucinta, alguns tópicos quanto á Artrite Reumatóide.
Artrite Reumatóide
Definições
Doença inflamatória crônica sistêmica ou degenerativa, de uma ou várias articulações. Fernandes, et al (1998), Rothenberg (1981) e Souza (1998)
Envolvimento inflamatório progressivo das estruturas articulares, iniciando pela membrana sinovial e estendendo-se às superfícies articulares. Zegarelli, et al (1981)
Afecção básica de estruturas articulares, mas não exclusivamente articular, pois pode apresentar acometimento visceral e de outros tecidos como pulmões, pleuras, vasos e nervos. Klippel (1998)
Etiologia e Freqüência
Trata-se de uma doença auto-imune inflamatória crônica de etiologia desconhecida, caracterizada por sinovite simétrica erosiva e, algumas vezes, comprometimento sistêmico. Vários centros de pesquisa avaliam a possibilidade de uma etiologia infecciosa para a doença (vírus Epstein-Barr, parvovírus B19 e vírus da rubéola), mas ainda não existem evidências conclusivas.
As doenças reumáticas são muito freqüentes e ocupam o segundo lugar dentre as patologias crônicas, perdendo apenas para os distúrbios cardíacos. Acredita-se que, de cada cem pessoas em todo o mundo, vinte e cinco sofram de algum tipo de doença reumática, representando, inclusive, uma das causas principais de afastamento do trabalho.
Esta patologia acomete ambos os sexos, no entanto, é mais comum em mulheres entre 40 e 60 anos. Pode ocorrer a partir da segunda infância, sendo caracterizada como Artrite Reumatóide Juvenil (ARJ).
A anemia é uma manifestação particularmente comum da ARJ, associada à febre elevada e outros aspectos extra-articulares. Em geral, a anemia relaciona-se à gravidade da doença e responde à terapia parenteral com ferro – a suplementação oral não apresenta bons resultados.
Tópicos importantes para o estudo da Disfagia Orofaríngea em casos de AR
Manifestações Relevantes ao Diagnóstico
Dentre as queixas relacionas á AR, existem aquelas relevantes quanto ao desencadeamento da patologia Disfagia Orofaríngea, a qual pode ser identificada pelo fonoaudiólogo e que deverá ser tratada por este profissional:
Xerostomia – pela perda da função salivar normal
Anorexia – redução de apetite gerando disfunção alimentar
Atrofia de pele e músculos – intimamente ligado a todo sistema estomatoglossognático
Depressão – muitas vezes, pela privação nas AVDs
Disfunção Cognitiva – desorientação têmporo-espacial; alteração das funções cognitivas Atenção e Memória
Disfunção de ATM – prejudicando a Fase Oral da deglutição
Sinovite das articulações cricoaritenóides (rouquidão, dor, disfagia)
Rigidez cervical (limitação de movimento anterior, lateral e posterior) – compromete a elevação do complexo hiolaríngeo
Manifestações cardíacas, pulmonares e neurológicas
Sistema Estomatoglossognático
Localizado anatomicamente no território crânio-cervico-facial, é um complexo conjunto de músculos, ossos e espaços orgânicos que, a partir da coordenação do SNC, desempenham as funções de digestão, fonoarticulação, mastigação e postura de cabeça. Desempenha importante papel nas funções de gustação e respiração.
As estruturas anatômicas envolvidas são:
Ossos – da face, hióide, clavícula, esterno e coluna cervical;
Articulações – dento-alveolar ou periodonto, temporo-mandibulares, vertebrais (tanto entre coluna cervical e crânio como intervertebrais em nível cervical alto);
Músculos – faciais, mandibulares, infra-hióideos e cervicais;
Órgãos – dentes, língua, lábios, bochechas, palatos duro e mole e glândulas salivares;
Sistema vascular – artérias, veias e vasos linfáticos;
Sistema nervoso – central e periférico inter-relacionados.
Articulação Temporomandibular
Trata-se de uma ligação móvel entre o osso temporal e a mandíbula. Corresponde à duas articulações que não podem trabalhar de forma independe.
É uma articulação sinovial e produz líquido sinovial, que nutre e lubrifica as estruturas mandibulares.
Bianchini (1998)
As disfunções de ATM, frequentemente, encontradas em casos de AR são:
Limitação acentuada dos movimentos mandibulares;
Mordida anterior aberta e desvio mandibular acentuado.
Relação entre a Postura da Coluna Cervical e o Complexo Hiolaríngeo
Figura 2.Alinhamento Biomecânico
Trabalhos recentes têm destacado a biomecânica deste complexo, relacionando-a as funções desempenhadas pelo sistema estomatoglossognático, principalmente, Mastigação e Deglutição.
O papel atribuído ao osso hióide como estabilizador da mecânica do funcionamento dos músculos supra e infra-hióideos confere a este a importância associada aos atos de mastigar e deglutir.
Este processo postural depende da integração e inter-relação dos muitos fatores que influenciam o sistema somático: estrutura anatômica, fisiologia, biomecânica e psicológica.
O posicionamento do osso hióide varia com a tipologia facial, maloclusão, respiração bucal, hábitos de deglutição atípica e extensão da cabeça, estando diretamente relacionado aos movimentos mandibulares, á postura de língua e, consequentemente, influenciando as funções da Deglutição, Mastigação e Fonação.
Rocabado (1984) afirma que o osso hióide é uma estrutura relacionada a outras, tais como mandíbula, crânio e coluna cervical. Servindo de inserção para músculos, ligamentos e fascia, justifica-se a importância de seu alinhamento, favorecido pela postura de cabeça (coluna cervical).
Para manter a posição ortostática são necessários músculos cervicais posteriores bem desenvolvidos. Este mantém o peso da cabeça contra a gravidade, sendo de maior importância o esternocleidomastóideo e os elevadores da escápula.
Temos, ainda, a ação dos músculos supra-hióideos, que promovem uma tensão mandibular entre a cabeça e o pescoço.
Apresentação do caso clínico
Investigação – anamnese e avaliação
Anamnese
Senhora de 82 anos de idade com queixas de deglutição, com histórico de pneumonias de repetição, sendo a última, motivo de internação.
Alimenta-se por via oral exclusiva, em consistência pastosa; engasga, frequentemente, com líquido fino e, por vezes, com própria saliva. Diagnóstico de Artrite Reumatóide e Disfagia Orofaríngea.
Avaliação
Cognição – comunica-se oralmente com razoável padrão articulatório. Necessita de mediação para orientar-se no tempo e espaço.
Por vezes, apresenta discurso incoerente, sugerindo alterações de linguagem.
Sistema Estomatoglossognático – movimentos lentificados de OFAs (órgãos fonoarticulatórios), hipofuncionamento de musculatura peri-oral e presença de tremor, comprometendo a estabilidade de OFAs.
Voz – tempos de fonação reduzidos, indicando prejuízo de fechamento glótico.
Deglutição – Na prova com líquido fino, ocorre falta de sustentação laríngea e dessatura 2%, o que sugere risco de broncoaspiração.
Com o líquido espessado, há melhor desempenho quanto à mecânica da deglutição, porém, há tosse após deglutir, com queda de saturação de oxigênio em 2%.
Esta paciente passou por intervenção fonoterápica com objetivo de propiciar ganho funcional de controle oral e alcançar alimentação segura por via oral. Orientamos a paciente a procurar avaliação do nutricionista quanto suas condições de nutrição e hidratação.
Aplicação – Intervenção fonoterápica
Abaixo, o esquema do plano fonoterápico elaborado para o caso:
Favorecer o alinhamento biomecânico:
Postura de cabeça
Relaxamento e alongamento de musculatura da região cervical e cintura escapular
Estabilidade de OFAs
Adequação de tônus:
Termoterapia
Massagens
Mioterapia
isotônicos
isométricos
isocinéticos
Funções Estomatopônicas:
Sucção
Mastigação
Respiração
Fala
Deglutição (consistências variadas)
Estimulação Cognitiva
Quadro após a intervenção da fonoaudiologia
Orientada no tempo e espaço
Adaptação de próteses auditiva e dentária
Sistema estomatoglossognático
Destreza nos movimentos de OFAS
Melhora de coordenação
Estabilidade de OFAs
Deglutição – de forma segura e sem riscos de broncoaspiração
Líquido
Líquido espessado
Pastoso
Sólidos umidificados
A função da fonoterapia não é tratar a doença de base, mas sim minimizar os sintomas, proporcionando aos pacientes uma melhora de sua qualidade de vida.
Em meu terceiro ano de faculdade, buscando livros sobre Fonoaudiologia, encontrei um que me chamou atenção pelo interessante título: “O Escafandro e a Borboleta”.
Na “orelha”, vi que se tratava da história de Jean-Dominique Bauby, jornalista e redator-chefe da revista “Elle” que, em dezembro de 1995, sofreu um acidente vascular cerebral, mergulhando na “Locked-in Syndrome” (Síndrome do Encarceramento). Fiquei bastante impressionada em saber que, mesmo num corpo inerte, tenha sido capaz de transmitir tudo aquilo que se passava dentro de seu “escafandro” através de piscadelas com o olho esquerdo, seu único elo de interação com o mundo.
Sendo fonoaudióloga e tendo como premissa de trabalho restabelecer a comunicação entre paciente e parentes/amigos, vejo que a leitura desse livro pode levantar questões relevantes acerca do “como” lidar com um indivíduo que perdeu a capacidade de se comunicar por estar aprisionado a um corpo incapaz – do ponto de vista motor. Jean-Dominique, assim como qualquer outra pessoa acometida pela Síndrome do Encarceramento, tem suas habilidades cognitivas intactas, plenamente vivas, no entanto, não podem ser expressas por meio de fala e de nenhum outro ato motor, a não ser o piscar de olhos.
Instaurar um método de Comunicação Alternativa em casos clínicos com prognóstico de fala ruim ou reservado, como muitos casos de Afasia e Apraxia, dentre outras patologias fonoaudiológicas, deve ser encarado como uma importante ferramenta na reabilitação fonoterápica.
A meta de expressão oral é, sem dúvida, aquela que o terapeuta busca alcançar em sua abordagem terapêutica. Porém, não devemos esquecer que o objetivo maior de nossa atuação é contribuir para a reinserção social, e para isso, o indivíduo necessita de Comunicação, seja ela por meio de expressão oral, ou por meio de estratégias alternativas que lhe permitam expressar idéias, sentimentos e opiniões.
Em seu livro, o autor dedica um capítulo á Ortofonista (nomenclatura dada ao fonoaudiólogo na França e no Canadá) que introduziu um método alternativo de comunicação.
A terapeuta chama-se Sandrine e o autor se refere a ela, carinhosamente, como “anjo da guarda”.
Continue lendo para desfrutar do extrato do livro que transcrevi aqui para todas as “Sandrines” que se dedicam a essa importante profissão.
Adaptação para o Cinema
Com estréia em dezembro nos Estados Unidos, o filme francês “Le Scaphandre et le Papillon” deve chegar ao Brasil em meados de 2008. Vale conferir o trailer abaixo.
O “Síndroma de Locked-In” (SLI) é, de acordo com o N.I.N.D.S - National Institute of Neurological Disorders and Stroke (2000) : “uma perturbação neurológica rara, caracterizada por paralisia completa dos músculos voluntários de todas as partes do corpo, excepto as que permitem o controlo do movimento dos olhos. Os indivíduos encontram-se conscientes e têm função cognitiva mas estão incapacitados de falar ou de se mover.”
Queremos compartilhar a evolução do caso de uma senhora, com quadro neurológico de Doença de Alzheimer (DA), que vem sendo atendida há um ano e quatro meses. O plano terapêutico tem, como base, a Teoria da Modificabilidade Cognitiva Estrutural e os recursos selecionados são PEI Básico e Fonoterapia Convencional direcionada à alterações de Linguagem/fala.
Para identificar a paciente, adotaremos um nome fictício. Laura, 76 anos, mora com um dos filhos e é acompanhada por excelentes cuidadoras. A família é bastante participativa e interessada no tratamento da doença e na melhoria da qualidade de vida desta senhora.
Etapas do Tratamento
Durante os oito meses inciais, aproximadamente, permaneciam na sala de atendimento, a fonoaudióloga e aplicadora do PEI, a especialista em mediação e a cuidadora. O objetivo da presença da cuidadora é tornar consciente a importãncia de seu papel como mediadora ao lidar com Laura. Nessa etapa, aplicamos as primeiras páginas do Instrumento Organização de Pontos (PEI Básico), associando essa ferramenta a outras estratégicas terapêuticas necessárias.
Do oitavo mês até Abril de 2007, iniciamos um trabalho específico para as questões da Linguagem e Fala através da Fonoterapia Convencional. É importante ressaltar que, em nossa opinião, não há como dissociar tais questões do aspecto cognitivo. Portanto, embora tenham sido utilizados, nessa fase do tratamento, outros recursos que não os Instrumentos do PEI B, toda a estimulação baseou-se nos conceitos da Experiência de Aprendizagem Mediada.
Funções Mentais Superiores como Identificação, Comparação e Classificação foram requisitadas nessa etapa, lembrando que a seleção dos conceitos e atributos foi bastante criteriosa levando em conta o nível de compreensão demonstrado pela paciente. Tratando-se de um quadro neurológico degenerativo onde conceitos e funções já foram “perdidas”, citamos a Plasticidade Neuronal, onde é possível que, mesmo “perdidas”, se manifestem em algum grau.
Parece pertinente deixar, aqui, um questionamento acerca desse assunto:
Até que ponto as Patologias Neurológicas Progressivas permitem a “reativação” de Funções Cognitivas consideradas ausentes por falta de manifestação destas em AVDs e/ou nas testagens realizadas por estudiosos e profissionais diversos?
Conhecido no Brasil como PEI, o programa é um método de estímulo cognitivo que objetiva otimizar o potencial de aprendizagem, tornando o indivíduo autônomo no processo do aprender. Baseado na teoria da Modificabilidade Cognitiva Estrutural de Reuven Feuerstein, o programa é ministrado por mediadores formados pelo Núcleo do Desenvolvimento do Potencial Cognitivo.
“Pesquisas recentes têm se voltado para o estudo da plasticidade neural em idosos saudáveis e com DA, e seus últimos achados têm sido animadores, pois há a hipótese de que por meio da ativação de áreas seletivas do cérebro durante a vida este pode ter a possibilidade de se proteger contra o processo degenerativo (Rosenzweig e Bennett, 1996). Além disso, há suposições de que certo nível de plasticidade neural persiste durante a terceira idade e na DA.”