Atendimento Domiciliar: Fonoaudiólogo - Paciente - Família

15.12.2007 | Tatiana Jorgensen

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A fonoaudiologia que buscamos aplicar diariamente estende-se além do diagnóstico e aplicação de técnicas terapêuticas. Nosso foco é, acima de tudo, o paciente, porém, a família deve ser incluída no processo, desde a primeira consulta.

O trabalho, quando exercido na casa do paciente, requer uma dose ideal de entrosamento, confiança e limite. Afinal, as visitas ao paciente em seu domicílio aproximam, e muito, terapeuta e família. Tal aproximação pode ser tanto positiva quanto negativa; cabe ao terapeuta definir sua abordagem para que o vínculo seja um aliado, e não um obstáculo ao tratamento.

A família costuma “adoecer” junto com seu parente. Esta condição vem sendo observada com muita freqüência em nossos atendimentos.

O familiar reage de diversas formas diante de um marido, mãe ou irmão doente e acamado. Dor e frustração são sentimentos muito freqüentes. Afinal, acompanhar seu ente querido em condições, muitas vezes complexas e incapacitantes, não é nada fácil.

Um fator para o sucesso dos atendimentos domiciliares (e em qualquer outro ambiente) é uma comunicação eficiente. O terapeuta deve indicar de forma clara o que é e quais são os objetivos de seu trabalho.

Uma das Competências do fonoaudiólogo, segundo o documento “Áreas e Competências do Fonoaudiólogo no Brasil” – Março 2007, é Orientar Pacientes, Clientes externos e internos, Familiares e Cuidadores.

“Esta área refere-se à competência para orientações e aconselhamentos relativos aos diversos aspectos da atuação fonoaudiológica, a fim de esclarecer pacientes, clientes, familiares e cuidadores.
A grande área em questão é constituída por ações que envolvem a escuta profissional, a explicação, a instrução, a demonstração, a proposição de alternativas e a verificação da eficácia das ações propostas. Para orientar o paciente ou cliente, o fonoaudiólogo deve escutá-lo, esclarecer os problemas existentes e suas conseqüências, explicar a anatomia e a fisiologia dos sistemas envolvidos na comunicação e na deglutição, assim como explicar o desenvolvimento da comunicação humana; explicar e demonstrar os procedimentos, as rotinas e as técnicas fonoaudiológicas. Propõe alternativas de comportamento e realiza aconselhamento fonoaudiológico. Visita domicílios, escolas e postos de trabalho para dar esclarecimentos pertinentes. Verifica ainda a compreensão da orientação ministrada e esclarece dúvidas.”

Conhecer a patologia de base do doente é fundamental.
É fácil recordar casos em que a família, por engano ou ansiedade, relata fatos e diagnósticos médicos inexistentes ou incoerentes. Além do contato com o médico do paciente, o fonoaudiólogo conhecedor do referido quadro pode, em casos como esse, argumentar com sua bagagem teórica, não para diagnosticar a patologia (o que não é da competência fonoaudiológica), mas sim, para que o familiar perceba o grau de informações e conhecimentos que o terapeuta possui. Provavelmente, isso aumentará o grau de confiança da família em “seu” fonoaudiólogo, transformando a relação numa aliada ao tratamento.

Porém, as relações não são matemáticas. Nem sempre o bom profissional alcança esse grau de confiança e aliança utilizando seus recursos técnicos e suas competências sociais.

Como proceder em casos difíceis? A resposta parece simples, mas na prática, a experiência e a sensibilidade do profissional são peças importantes no lidar com a família. Abaixo, algumas sugestões:

  • Comunicação clara e eficiente, sempre.
  • Reuniões periódicas com a família.
  • Reavaliações e relatórios progressivos apresentados e lidos em conjunto.
  • Contato com o médico e demais envolvidos no caso clínico.
  • Esse grupo de ações fornece ao profissional da fonoaudiologia recursos para gerenciar bem sua atuação. E não falo aqui de recursos terapêuticos; refiro-me á gestão do atendimento domiciliar, conciliando técnicas de saúde fonoaudiológica com a compreensão do contexto familiar em que se insere o paciente.

    Pensando na questão familiar, a fono&cia convidou as psicólogas Fernanda Jereissati e Golda Tenenbaum para enriquecer e ampliar nossa compreensão acerca da relação terapeuta – paciente - família.

    Conversando sobre Terapia Familiar Sistêmica

    Por Fernanda Jereissati e Golda Tenenbaum

    Hoje, cada vez mais, procuramos tratar o indivíduo como um todo, integrando os diferentes conhecimentos e técnicas.

    Descobrimos também que a família é um campo de estudo precioso porque quando analisamos o paciente dentro deste contexto, podemos compreender a sua sintomatologia de uma forma mais abrangente e, assim, ampliamos as possibilidades de intervenção terapêutica. Tornamos a questão mais complexa porque entramos na intimidade familiar com objetivo de desvendar seus mistérios e encaminhar soluções.

    As famílias são uma unidade emocional. Seus membros acham-se ligados uns aos outros de tal maneira que o funcionamento de cada um deles afeta o de todos.

    O foco de atenção, dentro dessa abordagem, passa a ser a família como sistema e não mais unicamente o indivíduo.

    A terapia familiar surgiu na década de 50. Seus teóricos como Watzlawick, Haley, Bowen, Minuchin e outros nos levam a vislumbrar o indivíduo no seu cenário familiar, a identificar o momento do ciclo vital no qual a doença emergiu, a revisitar as histórias das gerações passadas para entender a história atual de cada um.

    Com tudo isso em mãos, nós, terapeutas, enriquecemos nossos recursos, melhorando nossos atendimentos e proporcionando às famílias um espaço rico para reflexões, reconstruções e possibilidades de mudanças.

    Acreditando no valor dessas idéias na clínica, ofereceremos em março 2008 o curso “CONVERSANDO SOBRE TERAPIA FAMILIAR SISTÊMICA” que tem como objetivo introduzir os principais conceitos da Terapia Familiar Sistêmica para que possam servir de subsídios a uma melhor compreensão do ser humano no seu contexto relacional.

    Como metodologia, utilizaremos leituras, discussão de textos e técnicas vivenciais. O curso se destina a estudantes e profissionais das áreas de saúde, educação e jurídica.

    Clique para ver ampliado:

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    Um comentário para “Atendimento Domiciliar: Fonoaudiólogo - Paciente - Família”
    1. noob diz:

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