A Fonoaudiologia, enquanto disciplina que, dentre outras, estuda e trata desordens da Comunicação, Linguagem e Cognição, tem estreita relação com as neurociências. Por esse motivo, nos dias 29 e 30 Maio, teremos um evento muito interessante para fonoaudiólogos e terapeutas que atuam na área das Neurociências: I Encontro Científico de Fonoaudiologia e Neurociências do Centro Universitário Celso Lisboa com o objetivo de promover a interação entre o estudante e o mercado de trabalho.
A fono&cia, além de empresa apoiadora, participará do evento com a palestra: Processo Definido da Prática Fonoaudiológica. A palestrante Andréa Gonçalves, Sócia-Diretora da fono&cia, abordará a metodologia operacional que buscamos aperfeiçoar e aplicar diariamente, focando a patologia Disfagia Orofaríngea e aspectos Cognitivos muitas vezes envolvidos com a dificuldade de Deglutição.
A neurociência reúne as disciplinas biológicas que estudam o sistema nervoso, normal e patológico. É o estudo da realização física do processo de informação no sistema nervoso humano. O estudo da neurociência engloba três áreas principais: a Neurofisiologia (estudo das funções do Sistema nervoso), a Neuroanatomia (estudo da estrutura do Sistema Nervoso) e Neuropsicologia (estudo da relação entre as Funções Neurais e Psiciológicas).
O evento contará com apresentações de trabalhos científicos de estudantes e profissionais da área; terá a presença de palestrantes renomados debatendo assuntos de cunho contemporâneo e uma feira de exposição com produtos da área de Fonoaudiologia.
Na programação do evento, temas como Estimulação na Terceira Idade, Neuroplasticidade , Funções Neuropsicológicas, Gagueira, Perícia na Fonoaudiologia e Fono Hospitalar serão apresentados em palestras e mesas- redondas.
As inscrições são gratuitas e estão abertas até o dia 26 de Maio. O público-alvo são Estudantes e Profissionais das áreas de Fonoaudiologia e Neurociências e demais áreas afins.
O participante inscrito no evento que obtiver pelo menos 75% de sua presença comprovada poderá requisitar na Divisão de Eventos, no horário das 11h às 20h, o boleto para pagamento da taxa referente a confecção do seu certificado.
Os Profissionais ou Estudantes de Outras Universidades que quiserem se inscrever devem enviar para o e-mail eventos@celsolisboa.com.br, com o assunto *Encontro de Fonoaudiologia*, os seguintes dados:
Trata-se da segunda versão do documento publicado em 2002, antes denominado “Exercício Profissional do Fonoaudiólogo no Brasil”. A revisão foi realizada por um grupo de profissionais de todo o país com objetivo de descrever as atividades e áreas de atuação do fonoaudiólogo.
Na apresentação do documento, o 8º colegiado da CFFa deseja ao leitor uma “Boa leitura”, o que não deixa nada a desejar até àquele com a mais alta expectativa.
“A comissão responsável, intitulada Comissão Especial de Qualificação Profissional (CEQP), contou com a participação de quatorze (14) fonoaudiólogos com reconhecida experiência e especialização nas respectivas áreas de ocupação, a saber, linguagem, voz, audição e motricidade oral. Este grupo base, coordenado por dois conselheiros do CFFa, discutiu e analisou as diversas ações relativas à prática clínica das diferentes áreas de ocupação.
O trabalho inicial teve a assessoria de consultores especializados em análise ocupacional e, por meio do método DACUM (Developing a Curriculum), chegou-se à sistematização das ações que constituem cada uma das áreas de competência do fonoaudiólogo. O produto desta análise foi validado posteriormente, por um segundo grupo de fonoaudiólogos, composto da seguinte forma: quatro membros da CEQP, dois conselheiros do CFFa e seis novos fonoaudiólogos, representantes das áreas de especialidade, atuantes em diferentes regiões do Brasil e referendados pelos respectivos Conselhos Regionais de Fonoaudiologia.”
Para quem não conhece, o método DACUM foi desenvolvido nos anos 60 na Colúmbia Britânica, no Canadá, como um modelo de planejamento curricular. Parte do princípio de que só quem realiza a atividade pode descrevê-la. É um modelo pragmático de análise ocupacional para o desenvolvimento de competências, baseado nas técnicas de desenvolvimento curricular.
O processo DACUM se inicia sob a forma de um Workshop que inclui dois coordenadores e um mínimo de 8 e não mais de 15 representantes dos empregados (no caso, fonoaudiólogos), e parte da identificação das áreas de competência.
Em seguida, cada categoria envolve um número específico de habilidades que contribuem para o desempenho do trabalho. Em resumo, o Workshop inclui os seguintes passos:
1. Orientação;
2. Estabelecimento do título de abrangência da ocupação;
3. Identificação das áreas gerais da ocupação;
4. Identificação das habilidades potenciais;
5. Revisão e refinamento do mapa.
O resultado foi excelente. A descrição acerca da Fonoaudiologia, apesar de intitulada sumária, me parece uma das melhores. O documento segue identificando as Grandes Áreas de Competência (GAC), assim como as competências pessoais, habilidades, recursos, instrumentos de trabalho e locais de atuação necessários à plena realização profissional.
Foram identificadas doze grandes áreas, listadas na seguinte ordem:
Grandes Áreas de Competência
Realizar avaliação fonoaudiológica;
Estabelecer diagnóstico de fonoaudiologia;
Executar terapia (habilitação/reabilitação);
Orientar pacientes, clientes internos e externos, familiares e cuidadores;
Monitorar desempenho do paciente ou cliente (seguimento);
Aperfeiçoar a comunicação humana;
Efetuar diagnóstico situacional;
Desenvolver ações de saúde coletiva dos aspectos fonoaudiológicos;
Exercer atividades de ensino; desenvolver pesquisas;
Administrar recursos humanos, financeiros e materiais
Comunicar-se (acrescento comunicar-se bem).
Cada grande área, descrita e comentada com pertinência, leva o profissional a refletir sobre o trabalho que vem desempenhando.
O Fonoaudiólogo atento as suas responsabilidades clínicas, éticas, educacionais e voltadas à pesquisa sentirá o mesmo prazer e orgulho que vivenciei hoje.
A Fonoaudiologia vem amadurecendo… e, espero, continuará nesse processo, numa curva ascendente de dedicação, ética e pesquisa.
Neurologistas do Hospital Hadassah Ein Karem de Jerusalém foram os primeiros no mundo a tratar pacientes acometidos pela esclerose múltipla com células-tronco extraídas de sua medula óssea, reproduzidas em laboratório e injetadas em sua coluna, informou há dois dias o Jornal The Jerusalem Post.
Nesse mesmo estudo clínico foram tratados também pacientes que sofrem de Esclerose lateral Amiotrófica - E.L.A. Mesmo em fase ainda experimental, os resultados se mostram, segundo o jornal, animadores e promissores.
Todos os pacientes submetidos à pesquisa tiveram células-tronco injetadas em uma única ocasião e, por enquanto, não foram realizadas as análises dos resultados do grupo controle para contrastar os testes.
O médico á frente da pesquisa é o neurologista Dimitrios Karousis, profissional de destaque que trabalha no Hospital Hadassah há 19 anos. Ele ressaltou que esta pesquisa clínica é “a primeira no mundo com este tipo de células-tronco”.
Um Hospital no Reino Unido anunciou, recentemente, que implementará um programa de células-tronco muito semelhante ao adotado no Hadassah, lembra Karousis.
A esclerose lateral amiotrófica é uma doença que compromete a musculatura e causa deficiência motora progressiva.
Como o próprio nome indica, essa moléstia se caracteriza pelo endurecimento dos músculos (esclerose), inicialmente num dos lados do corpo (lateral) e atrofia muscular (amiotrófica).
Até o momento, não se conhece a causa específica desta doença. Existe sim, a possibilidade de causas multifatoriais onde estariam envolvidos um componente genético, a idade e algumas substâncias do meio ambiente. Mas, a princípio, não se conhece nenhum fator que predisponha à E.L.A., nem como é possível prevenir o desenvolvimento da doença.
A principal caracteristica da E.L.A. é a degeneração progressiva dos neurônios motores (superiores e inferiores). Neurônio motor é a célula especializada que envia impulsos nervosos aos músculos. Portanto, se esses impulsos deixam de ser enviados, a musculatura entra no processo de atrofia e fraqueza.
O primeiro sintoma da doença costuma ser a fraqueza muscular progressiva, seguida de atrofia. Além desses sintomas, há presença de fasciculação (tremor muscular), reflexos exaltados e cãibras.
Geralmente, a E.L.A. afeta primeiro os membros superiores; eventualmente, os membros inferiores sao acometidos na instalação do quadro.
Há algumas variações da E.L.A. Dentre elas, temos a forma bulbar da doença, que se incia afetando os órgãos fonoarticulatórios. É comum o paciente com esse quadro procurar o otorrinolaringologista, já que seus sintomas inicias são alterações vocais (Disfonia) e de fala (Disartria). Há ainda um rápido emagrecimento devido á Disfagia que se instala gradativamente.
O diagnóstico da E.L.A. não é simples. Atualmente, leva-se de 10 a 11 meses, do primeiro sintoma à confirmação do diagnóstico. Para se ter uma idéia, nesse espaço de tempo o paciente passa, em média, por 4 médicos, dentre eles, otorrinolaringologista e ortopedista.
Atuação Fonoaudiológica na E.L.A. - Breves Considerações
A ELA é uma doença bastante agressiva e não tem cura. Em minha prática profissional tive oportunidade de acompanhar casos dessa doença. Em síntese, o objetivo é a manutenção das funções orais ligadas à fala, voz e deglutição. A Disartria é do tipo mista, já que são afetados os neurônios motores superiores e inferiores. Em alguns anos o paciente perde, dentre outras, a capacidade de movimentação de língua, fato que compromete e muito a fase oral da deglutição, o que gera consequências na fase faríngea da mesma; a disartria agrava-se e, com isso, a implementação de Comunicação Alternativa é fundamental para manter o paciente interagindo com seus familiares.
A Disfagia preocupa. As mudanças na consistência dos alimentos é uma das estratégias do fonoaudiólogo para que o paciente continue se alimentando por via oral de forma segura. Vale lembrar que o acompanhamento da disfagia deve ser monitorado com oxímetro, já que a saturação de O2 diminui com a progressão da doença. Tal fato aumenta os riscos de Broncoaspiração. Saber o momento certo de sugerir uma via de alimentação alternativa é fator primordial para manter o paciente longe de pneumonias aspirativas em decorrência de alimentação via oral ineficiente quanto à proteção de vias aéreas inferiores.
Diante do quadro que a E.L.A. provoca, a notícia aqui editada chega em boa hora. A possibilidade de Livrar pessoas de um estado tão incapacitante será um presente da medicina. Pelo visto, estamos cada vez mais perto desse dia.
“Elas são de diversos tipos e um verdadeiro tesouro, pois podem originar outros tipos de células e promover a cura de diversas doenças. O fato é que a legislação brasileira sobre pesquisas com células-tronco de embriões humanos, já aprovada no Congresso Nacional, permite o uso dessas células para qualquer fim. Mas a lei de Biossegurança aguarda aprovação na Câmara dos Deputados. E muita polêmica ainda pode surgir, já que a Igreja e outros grupos são contra a utilização de células-tronco embrionárias. Para explicar o que é e para que serve a célula-tronco, entre outros temas, Alexandra Vieira, farmacêutica e bioquímica, pesquisadora da Fundação Zerbini/INCOR.” Confira!
No dia 06/11 acontecerá o “VI Fonoaudiologia em Destaque”, cuja organização ficou a cargo do 8º período do Curso de Fono da UFRJ.
O evento é coordenado palas Fgas. e professoras Leila Nagib e Cláudia Drummond, e será realizado no Hospital Universitário da UFRJ, contando com uma equipe competente nas mesas.
Os palestrantes são os professores da faculdade (alguns me deram aula), das áreas de Neurologia, Neuropsicologia e Fonoaudiologia.
O programa está bastante interessante, atendendo a profissionais ligados a diversas áreas da Fono.
As mesas abordarão os seguintes temas:
Avaliação Neurológica e Demência
Práticas em Disfagia
Avaliação da Fluência
Avaliação da Voz
PAC e Avaliação Psicolinguística Infantil
Os profissionais interessados em comparecer ao HU e conferir o que esses competentes profissionais têm a acrescentar (e com certeza têm), visite esse link.
Vale lembrar que a fono&cia está, apenas, indicando e divulgando o evento, sem qualquer comprometimento financeiro com a Instituição que o promove.
Se você também deseja divulgar seu evento de Fonoaudiologia, entre em contato e envie-nos a proposta e o programa para análise.
Em Outubro, além de aproveitar o feriado do Dia das Crianças, comemoramos algumas datas importantes para os profissionais da saúde como o Dia Internacional do Idoso (01/10), Dia Mundial do Dentista (03/10), Dia do Fisioterapeuta e do Terapeuta Ocupacional (13/10) e o Dia do Médico (18/10).
Hoje, dia 13 de Outubro, nossa homenagem vai para os Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais, importantes profissionais que, assim como o Fonoaudiólogo, compõe a Área da Saúde voltada à reabilitação.
Segundo o site do COFFITO - Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional - as definições e atuações desses profissionais são:
Fisioterapia
Figura 1.Símbolo da Fisioterapia
Ciência da Saúde que estuda, previne e trata os distúrbios cinéticos funcionais intercorrentes em órgãos e sistemas do corpo humano, gerados por alterações genéticas, por traumas e por doenças adquiridas.
Fundamenta suas ações em mecanismos terapêuticos próprios, sistematizados pelos estudos da Biologia, das Ciências
Morfológicas, das Ciências Fisiológicas, das Patologias, da bioquímica, da Biofísica, da Biomecânica, da Cinesia, da Sinergia Funcional, e da Cinesia Patologia de órgãos e sistemas do corpo humano e as disciplinas comportamentais e sociais.
O Fisioterapeuta é um Profissional de Saúde, com formação acadêmica Superior, habilitado à construção do diagnóstico dos distúrbios cinéticos funcionais (Diagnóstico Cinesiológico Funcional), a prescrição das condutas fisioterapêuticas, a sua ordenação e indução no paciente bem como, o acompanhamento da evolução do quadro clínico funcional e as condições para alta do serviço.
Terapia Ocupacional
Figura 2.Símbolo da Terapia Ocupacional
Área do conhecimento voltada aos estudos, à prevenção e ao tratamento de indivíduos portadores de alterações cognitivas, afetivas, perceptivas e psico-motoras, decorrentes ou não de distúrbios genéticos, traumáticos e/ou de doenças adquiridas, através da sistematização e utilização da atividade humana como base de desenvolvimento de projetos terapêuticos específicos.
É um profissional dotado de formação nas Áreas de Saúde e Sociais. Sua intervenção compreende avaliar o cliente, buscando identificar alterações nas suas funções práxicas, considerando sua faixa etária e/ou desenvolvimento da sua formação pessoal, familiar e social. A base de suas ações compreende abordagens e/ou condutas fundamentadas em critérios avaliativos com eixo referencial pessoal, familiar, coletivo e social, coordenadas de acordo com o processo terapêutico implementado.
O Terapeuta Ocupacional compreende a Atividade Humana como um processo criativo, criador, lúdico, expressivo, evolutivo, produtivo e de auto manutenção e o Homem, como um ser práxico interferindo no cotidiano do usuário comprometido em suas funções práxicas objetivando alcançar uma melhor qualidade de vida.
As atividades do profissional estendem-se por diversos campos das Ciências de Saúde e Sociais. Avalia seu cliente para a obtenção do projeto terapêutico indicado; que deverá, resolutivamente, favorecer o desenvolvimento e/ou aprimoramento das capacidades psico-ocupacionais remanescentes e a melhoria do seu estado psicológico, social, laborativo e de lazer.
Modelo Interdisciplinar em Reabilitação
De diversas formas, a realidade brasileira se coloca entre o rigor acadêmico-metodológico e o profissional de saúde. Isto ocorre em muitos pontos de sua formação e no exercício da profissão. Possivelmente, esta realidade representa o maior empecilho para que cada disciplina consiga alcançar uma metodologia e processos formais suficientes para garantir e amadurecer a relação interdisciplinar.
Casos Clínicos, invariavelmente, envolvem um número de especialidades que exigem ferramental de comunicação, acompanhamento e coordenação que corrobore com o sucesso no atendimento ao paciente e seus familiares.
A interdisciplinaridade na Reabilitação impõe-se como um marco conceitual e prático inerente ao processo de elevar a qualidade de vida de um indivíduo, bem como de reinserí-lo socialmente. Para isso, é preciso desenvolver a Funcionalidade sob diversas formas através da Ação Terapêutica, aonde cada profissional envolvido no caso clínico atua com seus objetivos e metas buscando minimizar as incapacidades e atingir um real ganho funcional, quando possível.
De acordo com Livia Borgneth, a composição básica da Equipe de Reabillitação segundo a Metodologia Interdisciplinar é composta de:
Médico Fisiatra
Fisioterapeuta
Terapeuta Ocupacional
Fonoaudiólogo
Psicólogo
Psicopedagogo
Assistente Social
É importante definir e diferenciar o conceito de equipes multidisciplinares e interdisciplinares. O trabalho multiprofissional é realizado por especialidades diversas sem que haja, necessariamente, uma relação de interdependência entre elas. O que a Metodologia mencionada aqui sugere é uma atuação interdisciplinar. Dentre as premissas de tal interdisciplinaridade, podemos elencar:
interpenetração do conhecimento;
o todo é maior que a soma das partes;
partes estruturadas;
produção conjunta de conhecimento.
Aplicando tais premissas, temos as seguintes consequências em potencial:
recomposição do conhecimento fragmentado;
compreensão do todo, o que dimensiona a ação das partes;
fortalecimento das partes beneficiando o todo.
Figura 3.Tipos de Atuação
O profissional de saúde deve refletir sobre sua atuação. Adotar uma metodologia interdisciplinar não é simples, sobretudo no início; é necessário abraçar uma cultura direcionada à eficiência, eficácia e efetividade da ação terapêutica. Portanto, a interdisciplinaridade é um Fazer a ser construído.
Compreender a atuação e as especificidades dos demais profissionais da equipe na medida certa, estar ciente da inter-relação entre as abordagens terapêuticas, entender os papéis e atribuições de cada especialidade e buscar a troca constante de informações e conhecimentos através de reuniões de equipe - ou mesmo de facilidades tecnológicas - vêm se mostrando uma boa forma de implementação de um trabalho interdisciplinar. Organização e Sistematização são os critérios fundamentais para o sucesso de uma equipe que busca esse tipo de atuação.
Em futuros ensaios pretendo discorrer sobre o assunto, enquanto apresento um extrato do Processo Definido da Prática Fonoaudiológica. O PDPF se propõe, justamente, a estruturar um processo de trabalho, efetuar projeções dos papéis desempenhados, definir protocolos e procedimentos, desenvolver artefatos - como laudos, planilhas, cronogramas e relatórios de acompanhamento - e detalhar o perfil que a fono&cia entende como o mais adequado a um trabalho produtivo em fonoaudiologia.
Quem ganha, acima de tudo, é o paciente; afinal, é ele o foco de qualquer equipe de saúde.
Ah! Quase esqueci!
Parabéns aos Fisioterapeutas e aos Terapeutas Ocupacionais!
Em meu terceiro ano de faculdade, buscando livros sobre Fonoaudiologia, encontrei um que me chamou atenção pelo interessante título: “O Escafandro e a Borboleta”.
Na “orelha”, vi que se tratava da história de Jean-Dominique Bauby, jornalista e redator-chefe da revista “Elle” que, em dezembro de 1995, sofreu um acidente vascular cerebral, mergulhando na “Locked-in Syndrome” (Síndrome do Encarceramento). Fiquei bastante impressionada em saber que, mesmo num corpo inerte, tenha sido capaz de transmitir tudo aquilo que se passava dentro de seu “escafandro” através de piscadelas com o olho esquerdo, seu único elo de interação com o mundo.
Sendo fonoaudióloga e tendo como premissa de trabalho restabelecer a comunicação entre paciente e parentes/amigos, vejo que a leitura desse livro pode levantar questões relevantes acerca do “como” lidar com um indivíduo que perdeu a capacidade de se comunicar por estar aprisionado a um corpo incapaz – do ponto de vista motor. Jean-Dominique, assim como qualquer outra pessoa acometida pela Síndrome do Encarceramento, tem suas habilidades cognitivas intactas, plenamente vivas, no entanto, não podem ser expressas por meio de fala e de nenhum outro ato motor, a não ser o piscar de olhos.
Instaurar um método de Comunicação Alternativa em casos clínicos com prognóstico de fala ruim ou reservado, como muitos casos de Afasia e Apraxia, dentre outras patologias fonoaudiológicas, deve ser encarado como uma importante ferramenta na reabilitação fonoterápica.
A meta de expressão oral é, sem dúvida, aquela que o terapeuta busca alcançar em sua abordagem terapêutica. Porém, não devemos esquecer que o objetivo maior de nossa atuação é contribuir para a reinserção social, e para isso, o indivíduo necessita de Comunicação, seja ela por meio de expressão oral, ou por meio de estratégias alternativas que lhe permitam expressar idéias, sentimentos e opiniões.
Em seu livro, o autor dedica um capítulo á Ortofonista (nomenclatura dada ao fonoaudiólogo na França e no Canadá) que introduziu um método alternativo de comunicação.
A terapeuta chama-se Sandrine e o autor se refere a ela, carinhosamente, como “anjo da guarda”.
Continue lendo para desfrutar do extrato do livro que transcrevi aqui para todas as “Sandrines” que se dedicam a essa importante profissão.
Adaptação para o Cinema
Com estréia em dezembro nos Estados Unidos, o filme francês “Le Scaphandre et le Papillon” deve chegar ao Brasil em meados de 2008. Vale conferir o trailer abaixo.
O “Síndroma de Locked-In” (SLI) é, de acordo com o N.I.N.D.S - National Institute of Neurological Disorders and Stroke (2000) : “uma perturbação neurológica rara, caracterizada por paralisia completa dos músculos voluntários de todas as partes do corpo, excepto as que permitem o controlo do movimento dos olhos. Os indivíduos encontram-se conscientes e têm função cognitiva mas estão incapacitados de falar ou de se mover.”